Ilê Axé Yemojá Orukoré Ògún

Orixás

EXU

Exu é o orixá que representa a própria energia dinâmica que impulsiona a vida dos homens na terra. Ele é o mensageiro entre homens e divindades, diferentemente do demônio cristão, Exu s encarrega de levar mensagens, pedidos, oferendas e outros desejos dos homens, aqui da terra para o orun – espaço sagrado onde habitam os demais orixás.

Nos terreiros de candomblé brasileiros, Exu é cultuado sob determinadas nominações, o que parece ocorrer com todos os orixás. Independente de algum julgamento do que é certo ou errado, o importante é cultuar os orixás para que eles não se esqueçam de nós, seus fiéis.

Assim Exu é conhecido como Yangi, que é fixado numa pedra de laterita, seria a forma mais primordial de Exu. Essa pedra é a constituição do platô no qual a cidade de Ketu está assentada. Em alguns mitos Yangi é o princípio vital de Olodumaré, chamado Emi (o sopro primordial).

Exu é Ijelu, nome retirado da planta de onde se extrai o pó chamado “waji”, o qual se usa para pintar a cabeça dos neófitos, durante o período de iniciação. Ele representa também a espiral que nos remete a ideia do crescimento e da multiplicação.

Exu Inã, o senhor do fogo, é uma das qualidades mais importantes do culto, saudado no ipadê. É também a força do axé da fala, aquele que dá dinamismo aos orixás para se comunicarem com os homens.

Chamado de Exu Agbo, senhor do pênis, nesta passagem Exu preside o ato sexual e a procriação. Nos lugarejos africanos se encontrará a representação do falo de Exu em sua entrada.

Exu Odara é aquele que traz a beleza e provêm a humanidade de bem estar. Aprecia a mesa sempre repleta de comida e bebida, gosta da festas onde os homens se comunicam entre si..

Elebó, é o nome que se dá a Exu que preside as oferendas, aquele que leva os carregos depois de sua consagração. Ele é chamado também de Ojise, o mensageiro que leva as oferendas ao orun.

Exu é o senhor dos mercado, conhecido como Akesan. Gosta dos bate-papos, das conversas sem fim, do jogo de palavras. Este Exu aprendeu todos os idiomas falados pelos homens nos mercados do mundo, por isso é capaz de se comunicar com tudo e com todos.

Exu Olobé é o senhor da faca, aquele que zela pelo uso da faca nos rituais (orôs).

Ele é Onã, Exu o que preside os caminhos. Extremamente astuto, fica nas entradas das aldeias, nas entradas dos terreiros de candomblé brasileiros e em todas as encruzilhadas. Sem ele não se entra e não se sai.

Assim, tantos outras denominações Exu recebe no culto afro-brasileiro. Como tem a particularidade de se dividir em muitos, uma de suas partes energéticas se alia a cada orixá individualmente, recebendo também nomes e funções relativas a quem serve. Esta subdivisão energética de Exu será cultuada separadamente pelos iniciados, seguindo os ritos de cada terreiro.

As cores utilizadas por Exu são o azul escuro, o vermelho, o branco. Seus colares são feitos nas cores azul escuro, preto e truncados também com vermelho. Sua vestimenta traz como adornos as cabaças (adoiran) contendo seus pós e elementos principais, traz nas mãos o ogó – instrumento que possui adornos com cabaças e búzios, em forma de pênis e testículos representando a procriação. Usa ainda uma sacola de couro (apô) amarrada a cintura, contendo folhas e pós. Veste um chapéu de couro pontiagudo, enfeitado com búzios que representam o sêmen.

Seus animais votivos são o cabrito, o bode, galos, galinha d'angola, tanto machos como fêmeas. Suas comida são o feijão preto, o milho amarelo, os inhames assados e temperados com azeite de dendê, pimenta e sal. Não se deve oferecer comidas frias a Exu para não provocar sua ira.


Exu tem horror a carneiro, verduras, milho de canjica e azeites brancos.

Pessoas dedicadas a Exu são ágeis, robustas, incansáveis, sensuais, libidinosas, gulosas, astutas, alegres e excelentes negociantes. Mas também são insolentes, tumultuadoras, gozadoras. Como gostam muito dos valores materiais, os filhos de Exu são trabalhadores incansáveis quando lhes convém.

 

OGUM

 

 

Senhor do ferro e por extensão da tecnologia e da guerra. Ogum é conhecido como o Asiwaju, aquele que vai adiante de todos. Ogum se relaciona com Exu pelo uso da faca e de outros objetos cortantes. Não se cultua Ogum, sem se cultuar Exu. Em quase todos os mitos iorubás, Ogum surge como irmão de Exu e de Oxóssi. Ogum é o orixá que proporciona a virilidade aos homens. Ogum preside as relações sexuais no momento da penetração. Nos terreiros onde Ogum é o patrono, poucos são os tabus que são destinados a seus fiéis. Ogum odeia a palavra “proibido”. Ogum é a representação da liberdade, do poder e de tudo que vai adiante. Por isso seu alimento principal é o inhame, o tubérculo “que brota sozinho”, não precisa se abrir uma cova para plantá-lo.

As cores de Ogum são o azul escuro, o verde, o branco e o vermelho. Seus trajes são feitos usando tecidos dessas cores, além da palha da costa e do mariwo (folha de dendezeiro) desfiada. As cores podem estar combinadas de acordo com as qualidades. Normalmente usa-se uma calça e uma saieta. Na cabeça Ogum usa um akoro (pequeno diadema). Carrega nas mãos um facão ou espada (idá) confeccionada em ferro forjado. Na maioria dos terreiros brasileiros, vestem Ogum com um capacete dos guerreiros romanos, usam peitoraça e braceletes em alumínio decorados com búzios e pedras.

As oferendas de Ogum são o ekuru (qualquer tipo de feijão amassado), inhame assado, eran-patere (cozido de miúdos de boi), farinha de dendê etc. Recebe em sacrifício bodes, cabritos, galos e pombos.

As qualidades de Ogum mais conhecidas são: Peje, Onire, Já, Xoroque, Mene, Aiaka, Alagbede, Oromina, Wari, Igbo, Edeiyi e outros.

Os filhos de Ogum são instintivos, dinâmicos, empreendedores, protetores, seguros, fieis, voluntariosos, solitários, maleáveis, conscientes de seus deveres, meticulosos, severos, amorosos; por outro lado podem ser: vingativos, rabugentos, impacientes, orgulhosos, arrebatadores, impulsivos, prepotentes, perigosos, instáveis e suscetíveis.

 

OXÓSSI (ODÉ)

 

Orixá patrono da caça, das florestas e dos caçadores, Oxóssi é também o patrono das cinco famílias reais de Ketu. Ele rege o cio das fêmeas e os espíritos da floresta, sem o encantamento próprio de Ossaim. Senhor dos chifres de búfalo (ogé), Oxóssi cuida para que as espécies se reproduzam abundantemente. Orgulhoso de seu reinado, ele usa o erú (cetro real) símbolo de poder dos reis africanos.

As cores de Oxóssi são o azul claro, o turqueza, o verde claro e o escuro, dependendo do terreiro onde é cultuado. Seus trajes obedecem essas mesmas cores, acrescidas do branco. Oxóssi usa como adorno o Irú, o arca-e-flecha (ofá), os chifres (ogé) e na maioria dos terreiros tras um chapéu enfeitado por penas de aves como pavão, faisão etc.

Suas oferendas de alimentos são o axoxo (milho amarelo coberto com coco em fatias), amendoim com mel ou agbado (milho amarelo coberto com coco e camarão assados). Recebe em sacrifício o cabrito, o javali, o porco e algumas aves.

Nos terreiros de candomblé encontraremos o culto de Oxóssi Olodé, Oxe ewe, Arole, Otin, Akeran, Obaloge, entre outros. Os filhos de Oxóssi são jovens, românticos, nobres, ágeis, flexíveis, inteligentes, delicados, trabalhadores,silenciosos, ponderados,calmos, respeitosos, sonhadores, generosos. Mas são também manhosos, egoístas, frios, insensíveis, nervosos, volúveis, secos, rabugentos, desleixados com a casa e com seus pertences.

 

ossaim

 

Cultuado em toda a nigéria, ossaim é a divindade patrona da vegetação, é o senhor das florestas.esta relacionado com todos os orixás por causa das folhas que fornece para o culto destes. Pode-se considerar ossaim como o "médico sagrado", pois é ele quem, atraves de infusões, beberagens etc cura os homens de seus males fisicos e espirituais. seja qual for o ritual que se faça num terreiro, o culto a ossaim esta sempre presente.

 Suas cores são o verde e branco e em alguns terreiros, verde e preto, podendo ainda variar entre o branco, vermelho e verde. seus trajes são confeccionados nessas cores, usa um capacete de palha encima por um passaro, carrega nas mãos um cetro onde se ve um passaro e um galho de folhas. costuma-se adornar os trajes de ossaim com folhas frescas e tenras, colhidas na madrugada do dia em que este virá para alguma festividade.

 Suas oferendas são o milho amarelo cozido enfeitado com fumod e corda e moedas, grão de bico, ovos e canjica. recebe em sacrifício cabritos, lebres, galos etc. não se deve oferecer a ossaim sementes e caroços, porque são eles que dão origem as folhas. não se deve assoviar nas dependências do terreiro para não ofender o orixá.

 seus filhos são agitados, prepotentes, irreverentes, alguns tem inclinação para o alcoolismo. são bons companheiros de conversa, tendo sempre um caso novo para contar. dizem, em alguns terreiros, que filhos de ossaim não são bons amantes.

 

IROKO

 

orixá patrono das árvores frondosas, dentre elas o igi iroko, no brasil substituída pela gameleira branca. É uma divindade cultuada em ketu, savê e popô.

 suas cores são o verde musgo e o marrom, assim como suas vestes. a elas se acrescentam as cores vermelho, azul e branco. como adereço, iroko usa muita palha da costa e búzios.

 como oferenda recebe comidas brancas, além de aluá, pipoca, banana e o eko amarelo.

 seus filhos possuem personalidade forte, são severos, austeros, protetores, autoritários, vigorosos, são guaridões da moral. de forma geral são generosos e paternais.

 

xangô

 

senhor do trovão e do fogo, xangô é talvez a divindade mais cultuada e festejada no brasil, já que o terreiro que deu origem ao candomblé brasileiro pertence a este orixá.

 suas cores são o vermelho e o branco. em alguns terreiros iremos encontrar o marrom e o branco e algumas vezes o azul real intercalado entre o vermelho e o branco. Xangô usa coroa por ser considerado um rei. seus trajes rituais são confeccionados nas cores anteriores e somente airá, uma das qualidades de xangô, veste-se na cor branca. Carrega na mão um oxé - machado de dois gumes - confeccionado em madeira. assim como sua representação material deve ser sempre feita em uma gamela de madeira contendo além de suas pedras, o edun ara - pedra de raio.

 suas oferendas são o amalá, feito com quiabos, camarão e muito azeite de dende e pimenta, além da rabada e do akará, feito da mesma massa do acarajé só que em forma de omelete. xangô aprecia o orogbo, não devendo, portanto, oferecer-lhe obi. seus animais em sacrifício são o carneiro, o cágado e outras aves.

 nos terreiros, de forma geral, se cultuam as seguintes qualidade de xangõ: ogodo, jakuta, jakuta, oba kosso, afonjá, obaolugbe, baru, airá (intilé, ibonã e osi).

  

OIÁ (Iansã)

 

Cultuada no Delta do Rio Niger, Oiá é divindade dos ventos, das tempestades, do amor carnal e divide, com seu marido Xangô, o poder sobre o fogo. Oiá controla os eguns (espíritos desencarnados), é conhecida como aquele que varre a morte e traz a vida.

Suas cores são o bordeaux, o grená, o rosa e o branco. Seus trajes são confeccionados nessas cores preferencialmente, mas existem terreiros brasileiros que acrescentam o vermelho e o azul. Em seu traje usa-se palha da costa e búzios. Nas mãos Oiá usa o eruexim, uma adaga e em suas roupas pendem dois chifres. Na maioria dos terreiros o avatar Oyá Iguale, veste trajes na cor branca e usa um leque de couro.

Suas oferendas são o acarajé, inhame com azeite de dendê, caldeirada de berinjela etc. Recebe em sacrifício a cabra, galinhas, pombos. A Oiá estão proibidos os sacrifícios de carneiro e tartaruga.

No terreiros afro-brasileiros, as qualidades de Oiá mais cultuadas são: Igbale, Mesan, Petu, Onira, Odo, Topé e Ijegbe.

Seus devotos são vaidosos, destemidos, extravagantes, altivos, espertos, briguentos, ciumentos, escandalosos, as vezes são calados, reservados, observadores. Sua principal característica é a possessão sobre seus objetos pessoais e sobre as pessoas com as quais destina seus bons sentimentos.


OXUM

 

Cultuada na província de Ijexá, Oxum é a divindade do Rio Oxum na Nigéria, sendo a divindade da família real de Oxobo. É divindade dos rios, fontes e regatos, sempre ligada a água doce e muito fria. Oxum preside as funções fisiológicas das mulheres (menstruação, gravidez, parto e também participa do nascimento dos bebes). Ela é o princípio feminino do mistério da criação. Ela é a dona das riquezas naturais, principalmente o cobre, que era o metal mais precioso da Nigéria em outros temos. Oxum governa os sentimentos humanos, o amor, o ciume, a inveja etc.

Oxum se relaciona com o nascimento dos homens, fecundidade e fertilidade das mulheres. Se relaciona também com Orunmilá através o jogo de búzios.

Suas cores são o amarelo – em suas várias matizes – o azul claro e o rosa claro. Suas vestes rituais são confeccionadas nessas cores. Oxum usa um leque de metal amarelo e algumas qualidades desse orixá usam também uma adaga.

As oferendas de Oxum são o omolocum, o ipete, o adun, o ejá, temperados com muita cebola, azeite branco, camarão e ervas rituais. Recebe em sacrifício cabras, galinhas, patas etc.

Os filhos de Oxum são vaidosos, maternais, autoritários, alegres, respeitosos, por outro lado podem ser invejosos, mentirosos, falsos, fúteis, briguentos.

Aqui no Brasil, as qualidades de Oxum mais cultuadas são Apará, Ipondá, Ajagura, Ewuji, Oxobo, Ijimu, Yeye Oke, Odo, Ogá e Karé.

 

OBÁ


Terceira esposa de Xangô, obrá é cultuada ao redor do Rio Obá na Nigéria. Divindade das águas, da proteção das famílias e da caça.

Suas cores são o bordeaux e o vermelho escuro. Seus trajes rituais são confeccionados nas cores branco, vermelho, rosa e bordeaux. Usa ade, escudo, espada e ofá confeccionados em cobre. Suas oferendas são farofa de inhame pilado com azeite de dendê, feijão fradinho cozido no azeite de dendê com muita cebola e pimenta. Recebe em sacrifício a cabra, galinhas, pombos etc.

A Obá e a seus seguidores está proibido o carneiro, a taioba e mariscos.

Seus filhos são de temperamento forte, apaixonados, excessivamente ciumentos e possessivos, carentes, solitários, fieis, guerreiros, combativos, impetuosos e muitas vezes vingativos. Pecam pela reserva em que vivem, tendo pouco envolvimento com as pessoas.

 

IEMANJÁ

 

A mãe dos filhos peixes, é divindade cultuada na cidade de Abeokuta, onde é considerada deusa do Rio Ogun, portanto divindade da água doce dos rios e suas desembocaduras. No Brasil, Iemanjá assumiu o patronato dos mares no lugar de sua mãe mítica, Olokun, cujo culto não se estabeleceu aqui.

Iemanjá tem relações com a fertilidade, fecundidade e maternidade. Aqui como na África, Iemanjá é mãe das cabeças – Iyáori. Para ela são dedicados os cultos relativos ao ori. Nos rituais ela é saudade com a frase Odo Iyá, oba olokun, oba olosa (Mãe do rio, rainha do mar, rainha da lagoa).

Nos terreiros de candomblé, Iemanjá é conhecida pelas qualidades: Asabá, Ogunté, Aoyo, Ataramagba, Iya Odo, Sesu, Akura, Malelewo, Konlá. sua cores são cristal translucido, azul claro e verde. veste-se com trajes nas mesmas cores, carrega nas mãos, dependendo da qualidade, o abebé, uma espada, facão e correntes. suas oferendas são o arroz branco cozido coberto com clara de ovos batidas e enfeitadas com feijao preto, o peixe assado, o mingal de canjica e uma especiaria chamada "Oju Iya", feita a base de canjica branca, camarao e azeite de dende.

Seus adeptos são conhecidos por serem autoritários, altivos, voluntariosos, dominadores, sensuais, maduros, severos, dedicados, rancorosos, maternais, idealistas.

É o orixá mais comemorado no Brasil (ver também “Iemanjá – a grande mãe africana do Brasil”, de autoria de Armando Vallado, publicado pela Pallas Editora)


 

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